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.: Créditos :.
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Interrogações
Quantos anos cabem em três segundos?
Em quantos mundos se pode viver?
As mãos são mais fortes que a mente?
O coração foi feito pra sofrer?
Em quantas palavras se pode dizer tudo?
Será que mudo eu consigo dizer?
Por que os olhos são as janelas da alma,
Por onde eu vejo o que ninguém vê?
Por que a chuva cai quando eu choro?
Por que eu choro tanto e sem porquê?
Por que se eu quero ser rápida, me demoro?
Por que simplesmente não sei o que fazer?
Com quantos amores se constrói uma vida?
Só existe um alguém pra cada "você"?
Como é que eu posso gritar, tão contida?
Como eu posso, correndo, permanecer?
Pra onde eu corro tanto e todo dia?
Será que um dia eu paro de correr?
Como nessa tristeza toda, eu sou alegria?
Por que tudo o que eu penso parece clichê?
Será que eu sou assim, tão diferente?
Há algum mal, pecado, em assim ser?
Por que eu passo pela rua e pela gente
E vejo tudo tão diferente de você?
Eu vejo mais que todos, ou vejo menos?
E por que faz tanta diferença ver?
E se eu não visse tanto, todo o tempo,
Eu perguntaria tanto por que?

Simples
Desliza no meu corpo
(feito azeite)
Ressuscita o que era morto
(traz deleite)
Seja meu único enfeite
(e me namora)
Mesmo que eu não aceite
(a tua demora)
Me indica onde mora
(a poesia)
E me explica por que chora
(a alegria)
Que eu te digo o que diria
(sem engano)
Na tua presença repetiria
(dia e ano)
Eu te amo
(é bem simples)
Eu te amo.


A espera na Rua
Anda, vive, caminha
Roda na roda da minha bicicleta
Desliza na rua concreta,
Vem direta a tua mão, e me toca
Chama os meus olhos pros teus,
E chama o meu nome, bem alto
Me aguarda sentado no asfalto
Que eu já venho - só me faltam uns degraus
Me espera, no coração que palpita
No ritmo da canção que eu lhe fiz
Que o palpitar do teu coração é chamariz
Que eu vejo d alto da minha torre de papel
O teu cheiro apressa os meus passos
E os teus passos meu fôlego furtam
Por teu beijo os caminhos se encurtam
Pra que meus lábios mais curtam os teus
Eu, destraída, pairando pela casa
Ouço o sino do portão que me alerta
Que deslizas na ruz concreta,
Que vem direta a tua mão, e me toca


Involuntário
O coração que em mim habita tem vida própria
Tem voz e tem querer – tem vontade
Tem medo e alegria – tem saudade.
E me faz (sempre) manifestar os seus caprichos.
Esse coração é quase um bicho
De tão bobo e de tão burro que ele é,
Só vento na cabeça, sem chão no pé
Fazendo questão de me levar (cega) até você.
Porque ele vira os meus olhos pros teus
E eu me torno marionete em suas mãos
E eu sei que resistir é quase em vão
E se a razão me repreende, ainda sorrio.
Com teus passos ele bate acelerado,
Como o bumbo de um sete de setembro,
Um fim de dezembro, uníssono e ritmado.
Se você pára, ele pára congelado.
E se derrete no seu abraço (de fim de tarde)
E é nos seus beijos que ele arde (apaixonado)


Por Maria
Questão
É como contemplar um céu sem sol,
Ou um mel sem docura alguma.
É tirar as pétalas das flores uma a uma.
É ia à pescaria, sem anzol.
É uma dança muda e sem movimento:
A melhor definição de ausência.
É peculiar, é absurda, é carência.
É sentar a beira mar e não ouvir o vento.
Só falta, sem maiores explicações.
Não está, simples e infelizmente.
Quando outrora todo momento era contente,
Agora é espera. Quissá, inquietação.
Se tem valor como nunca antes teve,
Se tem medo de não mais se ter.
Faz questionar: no futuro, o que fazer?
Faz lembrar quão todo passado foi breve.
E quanto mais se sente mais se pensa:
Que seria toda essa insanidade?
Cabisbaixa, admito: é saudade.
É uma dança, muda e sem movimento.

Pois é, Seu Severino
É, não é fácil, Seu Severino.
Sério mesmo, dizem que é destino,
Não sei não se é coisa do divino,
Se é acaso, ou sei-lá-o-que.
Pois é, veja você,
A vida se embala no seu próprio ritmo.
Mas ela se gera no nosso próprio íntimo?
Ou em seu próprio intimo? Bem, quem saberá?
Sabe do que mais? Sei lá.
Essa vida me inventa mil histórias.
Tão vivida, tão relida em mil memórias
Que eu já nem sei mais que apronta a danadinha.
Seria ela dócil ou daninha?
O que ela cospe, e veneno ou cura?
Seu Cosme, diz, até, JURA,
Que só serve pra contrariar nosso querer.
Mas a gente, sabe lá o que é querer?
E se esse tal de viver souber melhor?
Enfim, não sei o que é pior:
saber ou não saber desse ensaio.
Pois é, Seu Severino: não é fácil.
Me vive traquinando, esse larápio.
E me engana sempre - como é que pode?
Se faz sempre de fraco - mas é forte.
Não é fácil, Seu Severino.
Não é fácil.

O choro
Choro sim, o choro que for.
Choro de medo, de raiva, de rancor.
Um choro suave ou um choro sem cor.
Seja como for, eu choro.
Choro por filme, por amor
Ou por soneto,
Por dentro, em segredo eu me derreto
E as vezes até muda, choro.
Dispo-me em lágrimas pra não sobrar nada.
E escorre junto à água,
Esvai-se pelo sal,
Todo o vestígio vivo ou morto de sombra ou de mal.
Cansei de reter-me rota,
E é no transparecer de cada gota,
Que trago uma pureza casta
Ao semblante exausto.
E mesmo que me custe a fama,
Que atire a reputação à lama,
Que me deixe vazia a cama,
Cerro os olhos, sem palco, e choro.


Maria Menina
Eu vi passando a menina travessa
Que corre pôr do sol à fora,
Correndo, ventando, ela se demora
Morrendo de amores pelo que lhe é viver.
Se destraia com dos detalhes o menor
E via vida onde ninguém mais via.
"A noite é para ela como o dia"
O pai, rindo, costumava dizer.
Era o alvo de etiquetas de toda espécie:
Desajeitada, atabalhoda, ventania.
Mas se lhe pudesse dar um nome, seria Maria.
Pra sempre rimar com "alegria" no final.
Se lhe dessem asas, voava.
Se lhe puxassem para o chão, não se continha.
Se procurassem lhe encontrar, se escondia
Por tras das diversar artimanhas dela mesma.
Os cabelos anelados lhe emolduram
O rostinho moreno que canta alegria,
Mas num cantinho do olho alegre, jazia
Uma peculiar vontade de ser bem quista.
E ela se fazia de malabarista,
De bailarina, de pintora, de atriz.
De cantora, de escritora, e até, de feliz.
E tentando achar o que faltava, se perdia.
E desse modo a menina viveria
Até que, enfim, o dia chegaria
Em que ela contemplaria
a falta que fazia
Correr pôr do sol a fora,
Só sendo Maria.

(Redigido em 21/09/09)
Carta pelo esquecimento
O dia é cinza e a luz é pouca. O vento corre lascivo por todo o meu corpo, invadindo-me por debaixo das vestimentas, eu sinto frio. Os olhos varrem o chão, deixando lavarem-se, vez ou outra por uma lágrima. O cansaço que me toma é inenarrável, e prejudica fortemente a minha razão. Mas eu ainda consigo manter acesas algumas lembranças no meio do vendaval e a confusão que me é o pensamento. É que eu quase podia te ouvir sussurrando-as ao pé do meu ouvido.
Você se lembra daquela folha seca que lhe escapou da mão e me caiu no colo, e que eu guardei pra conservar aquele instante? Esfarelou-se, coitada, de tanta tristeza. E o que antes eu guardava, e acariciava, calada, nos momentos de mais intensa saudade, sobrou só o pó e a memória.
E aquela carta que te escrevi em setembro, ainda vive? Ou no Santo dia 12 já estará ao sabor das traças, como está esse nosso amor inventado, que eu elaborei pra sofrer menos? Não e que eu lhe culpe por não se importar, mas acontece que eu me importo.
O mesmo chão que sentiu nossos passos uníssonos na segunda, apoiou os meus mudos na terça. Cada passo era cem vezes mais pesado, sem rumo nem direção, perdidos junto a os vestígios de esperança que me restam.
Se um dia, por ventura, ouvir no silêncio o sussurro suave de alguém, como eu ouço o seu, ou lembrar, ou chorar por esse alguém; se ela parecer ter tomado toda sua inteligência, e depositado nesse espaço vazio toda a forma possível de paixão, vais entender por que eu sinto, tão contundente, a tua ausência, e por que as lembranças gravadas junto ao teu nome emergem, mesmo em meio a toda a irracionalidade. Vai entender o que é querer bem. Por que, moreno, eu só te quero bem, mesmo quando o meu dia e cinza, sem cor e sem luz. E como sempre eu o fiz, eu desejo a você, sem mim, a mesma felicidade que eu tenho perto de você.
Da Sempre Sua,
Maria.

Dedicado àqueles que me ajudaram a me construir enquanto Maria
Tem dias em que a gente acorda com uma vontade louca de comer biscoitos(geralmente de uma determinada marca nos recorda a infância: hipopós, passatempo, negresco, etc.). Outros em que nós simplesmente queremos chorar, mas chorar mesmo. Ou ver um filme em VHS. Ainda aqueles em que, sem motivo específico, os nossos olhos resolvem brilhar mais que o sol e as covinhas do nosso sorriso vão parar nas orelhas, e nos sentimos responsáveis por toda alegria do mundo. É como se cada dia vivido por uma alma, que mantém sempre uma mesma essência, fosse orientado por uma inspiração diferente. Fosse gerido e sustentado por uma alimento novo. Faz-me lembrar: "o pão nosso de cada dia nos dai hoje". É... essas "inspirações triviais" são tão incompreensívelmente perfeitas, que só podiam vir mesmo de Deus.
Muitas vezes essas inspirações também se dão em relação às pessoas. Isto é, muitas vezes nos sentimos mais próximos de uns que de outros. As vezes, queremos acordar sair de casa e ir dividir um pacote de negresco, chorar no ombro ou assistir um VHS com aquela(s) pessoa(s). E, nessas horas, não importa se é um papo sério ou um bando de abobrinhas; se se dá num restaurante ou caminhando pro ponto de ônibus, enquanto as folhas secas caem ilustrando o caminho. O que importa é a compania da pessoa amiga. Não que ela seja de fato muito melhor que todas as outras. Não que ela - necessariamente - te ame muito mais que outras, mas ela faz parte de você naquele momento, e inevitavelmente estará gravada no seu coração de alguma forma daqui em diante. E é esse grupo espec
ífico de pessoas que te faz sentir como uma obra de arte ambulante: com o coração talhado à mão, com todo o cuidado. E te dá, cada dia mais, um motivo pra acordar com as covinhas nas orelhas, ou simplesmente um colo pra ter onde chorar, nos piores dias.
Bem, eu nuca escrevi um texto como esse, nem sei bem como fazê-lo, mas a minha intenção inicial - a que acordou comigo esta manhã - era de dedicar esse texto a todas as pessoas cujos nomes estão gravados, agora e pra sempre, no meu coração. Os motivos para minhas inspirações matinais, e os abraços de que eu tanto preciso. O meu sincero muito obrigada.

Porventuranças
Porventura vale algo um coração
Que bate tonto por paixão e por loucura?
Descompassado, bate por que procura
Por um segundo coração, que é cego e bobo.
Porventura sabe d'algo a mão vazia
Que por uma segunda mão, vã, vai e busca?
A mão delicada, que tem sede da mão brusca
A mão de moça, que anda fria e esbranquiçada.
Porventura se usa pr'algo a perna sem rumo
Se ela não sabe pr'aonde vai, ou de onde vem?
Ela só sabe se guiar perto d'um alguém,
Só que esse alguém não sabe quem ou por que guia.
E, porventura, veêm olhos encantados
Que só buscam por um par de olhos negros?
Que se fecham pra guardar os tantos segredos
Que a mente elabora, sem querer.
Em suma, de que vale enamorar-se,
Se o seu ápice é fazer-te perder valor?
Vale a pena se desmanchar tanto de amor?
Mera dúvida tola, de reposta óbvia.
[nada mais.]

Aparta
Finge que me escuta,
Enquanto eu finjo que lhe falo.
Que depois eu finjo que me calo
Pra conservar a boa conduta.
Engana a vontade de falar-me
Que eu logro o desejo de ver-te.
Que logo se apaga o filete
Da brasa que nascia do vexame.
Abafa a alegria do face a face,
E ameniza a força do teu abraço.
Não me deixa sentir que é regaço
O espaço que entre teus braços faz-se.
Disfarça a frustração do teu olhar,
Que eu encubro o meu olhar cansado.
Que eu disfarço o peso do fardo
Que é ouvir tua voz na quebra do mar.
Deixa o vento levar o que lhe atrapalha,
Deixa o tempo passar por cima da imprudência,
Aguenta firme, sei que és forte, tem paciência.
Que a recompensa vem à tempo:
[não tarda, nem falha.]

Um transbordo melancólico.
Desabafo
Uiva o vento na janela e o vidro treme de medo; os carros passam gemendo, atropelando os paralelepípedos das ruas; eu, aqui dentro - entre o frio calor de quatro paredes - onde a voz, a caneta e a inspiração insistem em falhar. O que já foi prazeroso faz-se frustrante e vira motivo de noite mal dormida ou não dormida. Aos poucos, tudo vai perdendo a cor e o sentido, e me torno cega a todas as belezas, trazendo uma tristeza feia e vaporosa ao meu coração quebrado e aos farelos de espírito que me restavam.O sorriso fotográfico estampado no meu rosto tenta, em vão, abafar o que a alma não deixar esconder ao mudar o brilho dos meus olhos, me dando um olhar fosco, opaco.
Que fraqueza vazia, meu Deus!, e que frio. O inverno em mim nunca se manifestou tão rigoroso.Faz-me sentir como as árvores nuas de folhagem, de cor e de fruto. Não me lembro mais o que significa primavera. Tudo tem demorado tanto... a pobre esperança, que outrora me mantinha de forma perturbadora, se foi depois de tanta insistência, cansada de ouvir desaforo. Como ela me faz falta agora - e isso é, no mínimo, irônico.
Mantenho-me sóbria, mesmo quando a solidão, que me aparece e me fere sem razão, tenta desesperadamente me embriagar e me afogar nas minhas próprias lágrimas. Mas no ápice da minha melancolia gélida, minha lágrima é de neve e meu sorriso, de gelo. Nem a música me encanta; nada me toca ou me emociona e eu faço das palavras um refúgio um pouco mais quente e acolhedor que o meu quarto. Mas até elas estão se esvaindo e se desgastando, o que me aumenta a solidão. E, agora, eu me vejo aqui: sem verdade, sem refúgio, sem nada.

Máquina
Na rua, longa e deserta, um silêncio quase que absoluto: só era quebrado pelo som dos passos apressados e de umas lágrimas que caiam no chão. Se bem que esse último era um som discreto demais para ser ouvido por ouvidos comuns. A dor alheia é, geralmente, quase muda, e requer atenção demais pra ter tão pouca serventia (raros são aqueles que percebem que muitas vezes o que não nos tem tem serventia a priori, pode vir a ser demasiado importante tanto pros outros, quanto pra nós mesmos n'outro momento).
E, ao contrário da rua, o coração estava cheio, transbordando, explodindo, e nem se sabia por que. Só se sabia que ele lhe escorria aos pedaços pelos olhos. Como doía, tanto o extravasar, quanto a incerteza do por quê. E quanto mais se pensava, mais se chorava, e mais se enchia o coração de dúvidas. E pra quem tem um coração explodindo, a última coisa que se precisa são dúvidas.
Mais rápidos os passos, com o objetivo de queimar questionamentos em forma de energia: não preciso contar que mal funcionava. Mas qualquer coisa era alguma coisa pra sanar a dor. A máquina de lágrimas ambulante já não tinha rumo, só andava, e andava, e andava. Não se entede, porventura, que era uma máquina excepcional? Era uma máquina com coração? E pior: coração dilacerado por dúvidas infindas? Mas caía no caso da dor alheia, e o fato era simplesmente ignorado. Com o coração ou sem, inteiro ou não, a máquina andava, corria, voava pela rua a fora. Inundava o próprio coração, e sofria calada, só com o barulho dos passos e das lágrimas que caíam no chão.

A última carta.
Não sei bem por onde começou, e nem se já teve fim. Não sei como puder perder o rumo tão rápido e nem por que enfraqueci meus próprios princípios, em prol de fortalecer o seu abraço. As coisas aconteceram rápidas e esguias, como um pequeno furto noturno: foi levado embora foi meu juízo. Aliás, o nosso. Mas já amanheceu, e a luz me fez notar a ausência do meu bem furtado - não sei quanto ao seu, mas o meu me faz falta.
Seria hipocrisia dizer que eu não vou lembrar dos seus olhos quando a luz transpassar as folhas das árvores e trouxer o verde aos meus olhos. Ou que o meu sorriso vai se manter intacto durante as minhas caminhadas na orla da praia e quando eu vir o mar quebrando branco na areia. Ou, até, que eu vou saber conter o choro quando a saudade apertar. Eu sei o tamanho da cruz que eu estou prestes a carregar, mas também sei que estou disposta fazê-lo.
Por mais que eu goste quando você tenta encontrar os meus olhos no meio da multidão; ajeitar os meus óculos, que sempre escorregam pra ponta do nariz ou tirar cachos de cabelo do meu rosto, dispondo-os atrás da minha orelha, eu te peço, simplesmente, que não o faça. Não por que me incomoda, mas, ao contrário, por que, de fato, me agrada.
Te peço, também, que não se afaste aos pouquinhos, deixando pistas pra me ter de volta, ou pela primeira vez. Não vá devagarinho, deixando um riacho de lágrimas pra que eu te encontre e te pergunte o que se passa, por que eu temo ter a resposta que é maviosa aos meus ouvidos. De preferência, se ausente de pressa. Sem deixar rastros, vontades nem lembranças.
Tente me ver como menina, mais que como mulher. Não pense mais em como seriam as coisas se as coisas fossem diferentes: elas simplesmente não são (eu estou tentando atenuar a saudade em potência e o amenizar a vontade de me furtar mais uma vez o juízo, me obrigado a fazer o mesmo com o seu).
É, moço...o meu bom-senso está de volta, pedindo pra que eu ponha um ponto final nessa história curta. E eu não sei se é ele que é racional demais e passional de menos, ou eu que sou passional demais e racional de menos, mas o fato é que, de alguma forma, esse tal bom-senso me magoa. Me fere por sua repentinidade e intensidade. A minha vontade, é de correr pro teu abraço forte, pros teus olhos verdes o pro teu cheiro de mar, pra ver se a satisfação que me traz a sua presença ameniza minha dor, mas eu não posso. Até por que, esse mesmo meu bom-senso que me alerta de que a satisfação há de ser muito menor que a dor que a sucede.
Depois de muito discursar, já é hora de ir. Meu navio está de partida, e eu te peço que abandone o cais. Como eu já deveria ter feito dias antes, parágrafos acima, eu me despeço com uma lágrima no rosto, um trecho de música e um ponto final.
"No silêncio guardo o canto
Que reflete a sua imagem.
No deserto da paixão
Meu peito bate descontente,
Pois não há ninguém que possa devolver
Um navio de partida."
Navio De Partida -
Anselmo Carvalho
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